"Sonhos de um Mosqueteiro"



Este livro (blog) contêm crônicas e poemas por mim escritas, nas quais eu fiz questão de manter a data em que as mesmas foram elaboradas para que pudessem servir como testemunho de seu conteúdo "profético", e como um alerta para aquelas que ainda não foram concretizadas.
ARAMIS NETO






"As lágrimas são a materialização dos sentimentos."
(ARAMIS NETO)






"Um povo ignorante tem como seus representantes políticos corruptos".
(ARAMIS NETO)






"Nunca ande pelo caminho traçado, pois ele conduz sómente até onde os outros foram."
(Grahn Bell)







"Sempre há um pouco de loucura no amor, porém sempre há um pouco de razão na loucura.!
(F.Nietzshe)







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AQUELA QUE EU AMEI

 

Aquela que me ensinou amar,

 

Foi a mesma que me ensinou a sofrer.

 

Sentimentos divergentes e intensos,

 

Do amor ao ódio e novamente ao amor.

 

Confusão mental inexplicável,

 

Sentimento fechado no peito... inviolável.

 

 

Noites insones repletas de porquês.

 

E a cabeça girando em um carrossel imaginário,

 

Viajante dos sonhos sem traçar itinerário,

 

Perdido nos olhos da insensatez.

 

 

Que asas me tocaram

 

E tingiram de anil o meu ser?

 

Hoje, me furta a doidivana o direito de lhe ver.

 

A eterna dúvida entre o ser ou não ser.

 

 

Adormecer-se em “crisálidos” berços-mortálhas,

 

Onde se morre para se renascer.

 

E transforma-se de escuridão da noite em amanhecer,

 

Apenas pela suprema vontade de querer viver.

 

 

Dos beijos trocados ainda sinto o sabor,

 

Das carícias ousadas me recordo o calor.

 

Os olhos serrados, a espera do desejado momento,

 

Quando todo nosso sentimento

 

Explodia-se em sublime torpor.

 

 

Quero que me tenhas em lembrança como a tenho.

 

E ainda que tênue a saudade,

 

Se bater no teu peito a solidão,

 

Me chame que eu venho.

 

  ARAMIS – 15/02/09. 

                                                 



- Postado por: Aramis às 03h31
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Sonhos de um Mosqueteiro - Aramis




O MATUTO POLICAR SIRVIO VAI PEDIR EMPRESTIMO NO BANCO...

 

- Bons dia moçu du banco.

 

- Bom dia senhor. Em que poso servi-lo?

 

- Meu nome é Policar Sirvio... prazerrr. Eu vim cá pra mó di pidi um  dinheru imprestadu pro sinhô. É que bateu umas praga lá na fazenda e num sobro nadinha pra mó di eu e minha famia cume.

 

- E onde fica a sua fazenda ?

 

- É a fazenda Sumpólu. Ela fica na estrada da constituição numuru 1988. Dispois que abriru essa estrada é que minha fazenda cumeçô a í pru brejo, moço. Eu herdei ela do meu vô, o Coroné Mão de ferro. Eu achu inté que o sinhô cunheceu ele. Pela idade que o sinhô tem.

 

- Ah! Eu conheci sim... Não foi à-toa que ele ganhou esse apelido de “Mão de Ferro”.  Mas devo reconhecer que na época de seu avô a região aqui era mais segura. Todo mundo o temia e o respeitava. – Mas me conta a sua história. Vamos ver se posso ajudá-lo.

 

- Num é história não moço. O causo é que quando eu vim pra fazenda, pra mó de ajuda meu vô, que já tava veinhu, tadinho. Pois foi ele que me pediu pra vim. Eu cheguei junto com essa estrada, a tar da constituição. Meu vô me deu um montão de conseio. Principarmente ele me falô que com a construção da tar estrada desviaram o rir, ( o curso dágua)  que passa dentro das terra da fazenda.Que era pra eu tomá muito cuidado “coercia” correnteza do “rir ervanche”, esse é o nome do rir. Esse rir é muito perigoso moço. Já arrastô muita gente.

 

 - Pode continuar, estou ouvindo.

 

- Depois moço, nóis ainda passemu uns mar bocado, com uma secura de dá dó. A infração, aquelas coisa do dinheiro que vai diminuiiiiiinu, era tanta. Que, de manhã a cumida era um preço e de noite já era otru. Mas aí, no finarzinho da estação, caiu uma chuvinha, pingadinha, mas que” freuryo” um poco a prantação moço. Deu inté pra paga umas dividazinha que eu tinha. Mas o pior veiu dispois...

 

- Estou atento ao seu drama, continue...

 

- Acho que cumeçaru a cavucá demais o leito do “rir ervanche”, moço. Que a correnteza foi ficando cada vez mais forte e arrasto tudo. Num sobro quase nada. Foi tanta erosão, que só se via “covas” em todo lado. Nem um frutinho, se quer.  As terra secaru tudinho. Minha famia só num morreu di fome ainda moço, porque eu trabalho nas minha hora di forga da prantação, como vigia do gado do visinho. E a minha muié também trabaia de domestica na casa duns turista que vem pra cá nas féria.

 

- Então você tem dois empregos?

 

- É o disisperu moço. Num tenho tempo nem de fica cum a minha famia. Quando eu to im casa a muié num ta. Quando ela ta eu num to. E as criança, nem lembro mais a voz deles cumé. Porque só vejo eles durminu quando chego di madrugada im casa. E quando saio eles ainda não acordaru.

 

- É meu senhor. Assim é difícil viver mesmo. Eu estou solidário com o senhor. Mas o que o senhor pretende?

 

- “Ao qui mim” disseru, pra eu vim aqui emprestá dinheru e montá um nogócio pra ajudá a ganha dinheru. Eu tentei roça na serra, mas também num deu em nada. As terra na serra também é improdutiva. De lá num sai nada.

 

- E o que é que o senhor vai fazer com o dinheiro, se eu o emprestar?

 

- Bão moço, eu vou paga a minha campanha pulitica pra mó di eu me candidatá nas próxima eleição. Já tenhu um montão de votos dos colega que tem uns sitiozinhos aqui na região. Eu prometi pra eles que nós vamu ficá tudu junto. Que eu vo faze cum que o governo de bastante incentivo pra torna nossas terra produtiva de novo. Faze o “rir ervanche” vortá pro curso normal  pra que agente num precise mais ficar longe da famia cum dois ou mais imprego.

 

- Sendo assim, o senhor me convenceu. Vou lhe emprestar o dinheiro e ainda vou ser seu cabo eleitoral...O senhor merece...

 

 

 ARAMIS – 22/09/08. 

   



- Postado por: Aramis às 13h53
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