"Sonhos de um Mosqueteiro"
Este livro (blog) contêm crônicas e poemas por mim escritas, nas
quais eu fiz questão de manter a data em que as mesmas foram elaboradas para que
pudessem servir como testemunho de seu conteúdo "profético", e como um alerta
para aquelas que ainda não foram concretizadas. ![]() (ARAMIS NETO) ![]() (ARAMIS NETO) ![]() (Grahn Bell) ![]() (F.Nietzshe) ![]()
H/ALMA GUERREIRA/ olá amigo,sem palavras para o seu blog e seus textos,aceite um premio meu,nº 1 meu maximo o number one
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NOSSO AMOR IGUAL
Cálido ardor flambado no peito. Úlcera fagedênica iminente. Que diante do teu amor igual, Supre das células cárdias o defeito, De se ser idêntico, porém diferente. Em teu olhar, Vejo o crepitar da lenha do amor queimando em brasas, Enquanto o meu, Por se teu a mim teimado cria asas. E se perde em sonhos. Ora alegres, ora tristonhos. Amamos da mesma forma, Na mesma intensidade insana, Um amor sem padrão e sem norma. A adoração à DEUSA pagã e profana, Entorpecendo-nos em danças rituais, Aflorando os instintos animais, Teimando em deixar a razão de existir. Nosso amor semelhante em tudo, Na mesma dimensão e tamanho, Na musicalidade rimada a que se faz o amor, Onde para se rimar em verso precisa da dor, Para se fazer sonoro, Quando eu, para protegê-la da uniformidade verbal, De meu sofrer por ti, ignoro. E sigo em tua paralela visão. Percebemos em nós os mesmos sentimentos, Fortes, enraizados, direcionados, atentos. Porém, seria demais cobrar do destino, A felicidade a nós pertinentes. Amamos da mesma forma, Só que a pessoas diferentes... ARAMIS - 23/09/07.
- Postado por: Aramis às 03h11 [ ] [ envie esta mensagem ] :: Enviar esta mensagem
O VÔO DA MARIPOSA
Maria, este era o seu nome. Uma criança ainda. Apenas quinze anos de idade, mas que aparentava ter bem mais. Não teve tempo de brincar com bonecas. Sua infância, passada em um barraco de madeirite no centro da cidade, em uma favela. Sua mãe saía cedo de casa, com o dia ainda escuro, antes do amanhecer, para trabalhar em casa de família rica. Ela ficava cuidando de seus cinco irmãos menores que ela, aos oito anos de vida. Mas havia no barraco uma antena parabólica e uma televisão. Um luxo que sua mãe lhes dera para compensar sua ausência. E foi ali, em frente a esse televisor que Maria passou grande parte de sua jovem vida. Tudo era muito bonito. A vida dos artistas e dos personagens das novelas que ela assistia. Era o seu “Conto de Fadas”. A vida vivida dentro daquela caixa mágica era o que ela queria para si. Maria freqüentava a escola no período da tarde. Assim que seu irmão um ano mais novo que ela retornasse para casa após seu período de aulas, na parte da manhã. Era ele quem assumia a responsabilidade de cuidar dos outros quatro irmãos, para que Maria pudesse estudar. Essa era uma imposição de sua mãe. Que fazia questão de que seus filhos tivessem mais instrução que ela. Maria nunca soube o que era uma figura paterna. Seus irmãos, eram fruto de relacionamentos relâmpagos de sua mãe. Cada um de um pai diferente. E foi nesse mundo de fantasias da “TELINHA”, que Maria foi criada. Quando passou a entender um pouco mais da vida e já ter a consciência de sua posição na sociedade capitalista, foi que Maria decidiu que queria o melhor para si. Belas roupas, carros, casa, jóias, homens bonitos ao seu lado e muito dinheiro. Exatamente igual às belas mulheres que ela via na televisão. Maria, agora com treze anos, sempre via na televisão, que as prostitutas, ou como querem: “ACOMPANHANTES DE LUXO”, se dando bem na vida. Fosse nas novelas ou na vida real. Como ela não se cansava de ver em programas de entrevistas ou de reportagens. Belas mulheres, Algumas até com nível superior, com belos corpos, “malhados”, cabelos bem cuidados, roupas de grife, carros importados, apartamentos de luxo e muito dinheiro. A via mais rápida para o sucesso. Assim ela imaginava. Pois assim aquela caixinha de fantasias lhe ensinara. Quando Maria cansou-se da vida sofrida e mesquinha que levava, decidiu aventurar-se no mundo da prostituição. Queria subir na vida rápido. Igual às mulheres que via na “telinha”. E que eram endeusadas pela televisão. Mostradas como um estilo glamouroso de vida. Saiu de casa e caiu no mundo. Porém, Maria não possuía o tipo físico padronizado pela sociedade moderna. Ela não era branca, não tinha olhos claros, não tinha os cabelos pintados de louro, (nem combinava com o tom de sua pele). Não possuía o padrão de beleza para se dar bem na vida. Só possuía seu corpo ainda infantil e sua juventude. Com treze anos de idade, Maria foi aceita por uma cafetina, (que de imediato vislumbrou grandes lucros com a exploração sexual daquela menina), para trabalhar em seu prostíbulo. Maria se encantou com a cafetina, que lhe dava mais atenção que sua própria mãe jamais havia lhe dado. Tanto, que para agradá-la, Maria fazia tudo que ela lhe mandasse fazer. Inclusive os favores sexuais com os clientes especiais da casa. Com o primeiro dinheiro que ganhou vendendo o seu corpo, a criança Maria comprou uma boneca, da qual não se separou por um bom tempo. Mesmo no salão do “puteiro”, ela a carregava consigo. O que agradava a cafetina, porque lhe dava ainda mais ar infantil. E excitava as libidos das mentes doentias de alguns de seus clientes. Aos quinze anos, Maria já não mais possuía a ingenuidade e nem os traços de infantilidade, nem em seu corpo e nem em sua alma. Maria transformou-se Naquela noite, sozinha em seu quarto, sob o efeito do álcool, drogas e remédios, Maria viu-se como uma mariposa. E a luz que a atraía, era a luminosidade da tela do aparelho de televisão. Em sua mente, Maria transformava-se em espectro e era sugada para dentro da tela transformando-se em uma das personagens a quem ela admirou por toda a sua pouca vida. Maria foi encontrada em seu quarto no dia seguinte. Seu corpo sem vida em frente ao aparelho de televisão ligado. Mas, trazendo um estranho sorriso em seu rosto. Que ninguém entendeu...
ARAMIS – 04/09/07.
- Postado por: Aramis às 23h28 [ ] [ envie esta mensagem ] :: Enviar esta mensagem
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