"Sonhos de um Mosqueteiro"
Este livro (blog) contêm crônicas e poemas por mim escritas, nas
quais eu fiz questão de manter a data em que as mesmas foram elaboradas para que
pudessem servir como testemunho de seu conteúdo "profético", e como um alerta
para aquelas que ainda não foram concretizadas. ![]() (ARAMIS NETO) ![]() (ARAMIS NETO) ![]() (Grahn Bell) ![]() (F.Nietzshe) ![]()
H/ALMA GUERREIRA/ olá amigo,sem palavras para o seu blog e seus textos,aceite um premio meu,nº 1 meu maximo o number one
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HOJE VI O AMOR. Hoje vi o amor em teus olhos, E não era pra mim. Ouvi as poesias que declamavas, E não era pra mim. Vi teus braços abertos, Preparados para o abraço, E não era pra mim. Vi tua boca ansiosa de beijos, E não era pra mim. Hoje vi o amor materializado em ti. E fiquei feliz por você. Embora tenha sentido a dor De algo morrendo em mim. Queria ter sido eu alvo do teu desejo, Mas não me fora dado pelos astros este destino. Queria ser poeta, mas sou só um menino. ARAMIS – 23/11/06.
- Postado por: Aramis às 22h42 [ ] [ envie esta mensagem ] :: Enviar esta mensagem 20 DE NOVEMBRO DIA DA CONSCIÊNCIA NEGRA E UMA REVERÊNCIA AOS BRANCOS MAIS NEGROS QUE POR AQUI JÁ PASSARAM “ CASTRO ALVES “ “ VINICIUS DE MORAES “ E A TODOS AQUELES QUE INDEPENDENTE DE RAÇA, SEXO, CREDO, COR OU IDEOLOGIA, NÃO DESISTEM DE LUTAR PELA JUSTIÇA E IGUALDADE DE OPORTUNIDADES. - Postado por: Aramis às 02h07 [ ] [ envie esta mensagem ] :: Enviar esta mensagem LÍRIO NEGRO
Neto mulato e bastardo da negra mãe África, Outrora em continente ligado. Da qual jamais suguei de suas tetas o leite natal, Ou dancei seus ritmos, ou bebi de sua cultura. Hoje, refestelo-me à sombra de tua moldura, Sob o sangue daqueles que morreram por tua herança colorida. Não sofri grilhões em meu corpo. Ou chibatadas no tronco, De meu corpo em açoite bronco, ...Apenas ouvi dizer. Negra vó África, Que hoje agonizas sobre teu próprio berço, Sem que teus descendentes espalhados pelo mundo. Tenham por ti o mínimo apreço, Para rezar-lhe no leito de morte um terço, Ou para beijar-lhe com um beijo profundo. África, por centenas de anos saqueada, Quando teus bravos guerreiros subjugados à força inimiga e cruel, Saídos de ti em porões negreiros, Ao se espalhar em sementes pelo mundo, fez o seu papel, Que do orgulho negro despido. Criaram seus filhos ao léu.
África que deixou de ser uma terra, para ser um sentimento. Mas que hoje te vejo em lamento, Por não receber de teus filhos o mínimo alento, Para não deixar de existir. África, que grito teu nome em cores. Na Bahia, onde tua lembrança é mais sentida, Negra flor que dos horrores das senzalas nascida, Mantém-se ainda na praça o pelourinho, Para que mesmo o teu filho mais lourinho, Não se esqueça das barbáries sofridas. África, que exposta em versos por um branco Alves, Traduziu-te na mais perfeita pintura. Que o Castro em época abolicionista insegura, Trouxe-lhe aos olhos do mundo, Em um sentimento tão profundo, Que de branco, só lhe tinha da tez a textura.
(continua)... - Postado por: Aramis às 00h35 [ ] [ envie esta mensagem ] :: Enviar esta mensagem LÍRIO NEGRO... (CONTINUAÇÃO) África, que nas tribos de negros reluzentes, Em negras bocas, dos marfins brancos os dentes, Entre os quais serpenteia-lhes a língua dialeticamente, Em um clamar por seus DEUSES negros, Orixás protetores da mãe natureza, Em danças e ações de singular beleza, Como em um guerrear de invencível destreza. África, negra voz, Que nas senzalas, em forma de ladainhas cantadas, Ainda hoje lhes podem ser escutadas. Pois, as feridas ainda não lhe foram curadas. África, mãe negra, Que alimenta os filhos brancos, Deixando os seus próprios aos prantos, Para de fome se morrer. África do Harlley, de blue jeans e All Star, Dos guetos, das favelas, dos sub-mundos. Desentendida em vários idiomas, Uma só voz entalada na garganta sem poder gritar. África dos segregados, Onde teus netos pelo mundo espalhados, Renegam-te como não se deve fazer. Pois se cada negro do mundo, Retornasse às raízes em forma de ajuda, Até DEUS lhe mandaria a chuva. E verias novamente a flor do amor nascer. África sem consciência negra, Quem saiu de teu sol escaldante não quer retornar, Ignoram-te, mas usam do teu nome para benefício próprio, “Faço-me de vítima para me beneficiar”. Não sou como os ancestrais guerreiros, Que mesmo feridos de morte Não esperavam a sorte. E até a última gota de sangue, Por suas liberdades punham-se a lutar. África daqui, dali ou de onde estiver, Na esmola não há felicidade, Quero demonstrar a minha capacidade, Lutar por meu direito com justiça e igualdade, Sou guerreiro pro que der e vier... ARAMIS – 16/11/06.
- Postado por: Aramis às 00h24 [ ] [ envie esta mensagem ] :: Enviar esta mensagem POLUÇÃO
Já me encontrava na cama quase dormindo, Você abriu a porta do quarto, Caminhou em minha direção nua e sorrindo. Um sorriso malicioso e ao mesmo tempo sedutor, Que me fez querer sentir dos teus lábios o sabor. Outras partes de teu corpo também beijei, Só não sei dizer em qual delas eu mais me demorei. Suas mãos e boca percorrendo o meu corpo e você ainda sorrindo, Que logo deram sinal de vida, As partes dele que eu julgava estarem dormindo, Quando pelas carícias sofridas logo tiveram a reação, E o que adormecia despertou em sua mão. Fizemos amor de uma forma animal, Sem pudores, sem reservas, apenas o desejo cabal. Esgotei minhas forças e você as suas Pois lá estava você, Na parede entre fotos de outras mulheres nuas, Fizemos amor em meu sonho e minha imaginação, Mas as marcas da realidade ficaram impressas no colchão. ARAMIS – 03/11/06.
- Postado por: Aramis às 16h29 [ ] [ envie esta mensagem ] :: Enviar esta mensagem APENAS DE PASSAGEM Passo pela vida, Como uma pluma lançada ao vento. Que sem controle de seu movimento, Resta-lhe apenas flutuar, Enquanto o ar lhe prover o sustento. Passo pelos amigos, Que fiz e desfiz com a mesma facilidade. Pois não soube retê-los em meu convívio, E hoje vejo que abri mão da felicidade, Achando que na solidão teria da dor o alívio. Passo pelos sonhos, Que sonhei da forma mais louca, Mas que para torná-los realidade, Minha persistência foi tão pouca, Que nem sei se realmente realiza-los era minha vontade. Passo pela experiência, De tudo que meu corpo e minha mente aceitaram, Algumas delas minha alma marcaram. Outras sequer na lembrança ficaram. Passo pelas promessas, Que ouvi de boca se dizendo apaixonada, Pois sem perceber que arrefecias, Enchi meu ser de esperanças, Com suas palavras vazias. Passo pelo amor, Alguns com muito, outros sem nenhum pudor. Mas no final, sempre me resta a solidão. Vivi uma vez só o amor, O resto foi só paixão. Pois, do amor vivido, que se falar? Que resta ainda cravado em meu peito a seta de cupido, Para nunca mais amar. Passo pela vida, Como a pluma lançada onde já não há vento, Restando-me apelas o lamento, De não mais poder flutuar... ARAMIS – 13/11/06.
- Postado por: Aramis às 20h44 [ ] [ envie esta mensagem ] :: Enviar esta mensagem NADA EM COMUM...
Nada temos em comum, Além da distância que nos separa. Nada temos em comum, Além de estarmos olhando para o mesmo ponto da lua, No mesmo instante. Nada temos em comum, Além de primarmos o amor em nossas vidas, Mas não vivê-lo. Nada temos em comum, Além do fato de estarmos sendo aquecidos Pelos mesmos raios solares. Nada temos em comum, Além de emocionarmo-nos com a mesma melodia. Nada temos em comum, Além de renunciarmo-nos à felicidade. Nada temos em comum, Além de acovardarmo-nos ante ao desejo carnal. Nada temos em comum, Além de condenarmo-nos à nossas próprias solidões. Nada temos em comum, Além de uma tela colorida e um teclado. Nada temos em comum, Além de termos tudo em comum... ARAMIS – 11/11/06.
- Postado por: Aramis às 16h37 [ ] [ envie esta mensagem ] :: Enviar esta mensagem SOBRE POMBOS E ESTÁTUAS
Ave que aos bandos sobrevoa as cidades, Cartão postal em muitas delas, Nas fotografias tiradas, as lembranças as saudades, Em Veneza, Central Park, Londres ou na Praça da Sé. As brancas representam o amor de Deus, a esperança e a paz, À quem tem fé. Nas revoadas, A beleza dos vôos sincronizados. O balé aéreo ainda não imortalizado, Como a morte do cisne, em dança representado. E das estátuas, o que se dizer? Que geralmente ficam nas praças, Representação e homenagem a algum vulto histórico, Que em vida de procedimento metódico, Hoje serve de poleiro aos pombos. Quem diria que aquele homem de tez rude e sisudo, Hoje em bronze, rijo e mudo, Mereceria tal fim. Pois em vida, com certeza, Não há quem o contrarie ou desobedeça, Agora desonrado e humilhado em praça pública, Com pombos lhe “cagando” na cabeça... ARAMIS – 03/11/06.
- Postado por: Aramis às 16h27 [ ] [ envie esta mensagem ] :: Enviar esta mensagem SEMÂNTICO
Quem me dera saber-me douto. Mas não o sou...que se fazer? E das letras partir-me em couto, Para saboreá-las à meu bel prazer. Caso o fosse, com certeza, Estaria ao lado daqueles Que com tamanha destreza, Jorram palavras em fontes literárias, Apenas por amarem a beleza. Sou, confesso... Xenófobo literário. “Minha língua é minha Pátria”, E dela não abro mão. Mesmo que me falte a rima, Sempre há uma solução. Vou das palavras ao berçário, Leito onde a semântica prima. Neo-erudito?... quiçá! “línguo-me”, por não querer-me calar. Talvez, “Caetaneando” ou “Djavaneando”, Eu possa me “Aramisar”. Para do alto das torres de livros, Poder em alto e bom tom bradar... Onde dos amores efêmeros, Em neo-vernáculo eternizar. Com palavras nascidas do peito, Ao me lembrar de mulheres deixadas no leito, Para outras mulheres beijar... ARAMIS – 04/11/06.
- Postado por: Aramis às 12h05 [ ] [ envie esta mensagem ] :: Enviar esta mensagem LIÇÃO DE VIDA Joana era uma mulher que em seus trinta e três anos de vida, carregava em seu frágil corpo uma enorme dor por somente querer ajudar aos seus semelhantes e não ser compreendida. Doava-se de corpo e alma em atitudes humanitárias a quem de sua bondade, seus conselhos ou seus conhecimentos medicinais precisasse. Sem nada pedir Mas um dia, quando sua dor era tão grande e a angustia em seu peito superava suas forças, procurou por alguém que lhe dissesse palavras amenas e lhe acalentasse a alma. Mas não houve ninguém que lhe fosse amável, nem mesmo aqueles a quem ela um dia ajudara. Sua tristeza foi tão grande que ela resolveu isolar-se do mundo, indo procurar por um lugar onde pudesse chorar suas mágoas. Chegou até o alto de uma montanha, à beira de um precipício e sentou-se observando do alto o vilarejo onde vivia. Via as pessoas se movimentando de um lado para o outro, como pequenas formigas levando suas vidas sem se importarem com o resto do mundo. Pensou que a solução seria soltar o seu corpo, deixando-o flutuar pelo espaço até atingir o solo. Sentia-se muito só em um mundo de ingratidão. De repente, ouviu alguém chamar por seu nome. Olhou para trás e viu um velho de barbas brancas, com os braços abertos, como que a oferecer-lhe acolhida. Não soube explicar o porquê, mas sentiu demasiada paz no semblante daquele velho homem. E levantando-se, seguiu em direção a ele. Suas lágrimas cessaram quando o velho pousou as mãos sobre sua cabeça. Ajoelhada perante aquele homem, sem se lembrar de tê-lo feito, passou a ouvir suas palavras... “Não se desespere minha filha. Faz algum tempo, mandei meu único filho para cá e ensinar aos homens o caminho a seguir. Um caminho de amor e bondade para com os seus. E eles também o desprezaram. Zombaram de suas palavras, marcaram o seu corpo e ofenderam a mim. Quis tira-lo daqui e punir a todos. Mas meu filho me impediu, dizendo que de seu sangue brotariam sementes de amor. A dor que meu filho sentiu eu também senti. Mas vejo que ele estava certo em suas palavras, pois você é uma das sementes que brotou de seu sangue. O caminho do amor ao próximo não é fácil, mas sempre brotará pelo menos uma semente neste caminho”. O céu se abriu e uma luminosidade intensa forçou Joana a fechar os olhos. E quando a claridade abrandou e Joana os abriu novamente, não mais viu o velho homem. Então ela compreendeu que deveria continuar seu caminho até deixar crescer uma nova semente. ARAMIS – 23/01/06
- Postado por: Aramis às 22h40 [ ] [ envie esta mensagem ] :: Enviar esta mensagem
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