"Sonhos de um Mosqueteiro"



Este livro (blog) contêm crônicas e poemas por mim escritas, nas quais eu fiz questão de manter a data em que as mesmas foram elaboradas para que pudessem servir como testemunho de seu conteúdo "profético", e como um alerta para aquelas que ainda não foram concretizadas.
ARAMIS NETO






"As lágrimas são a materialização dos sentimentos."
(ARAMIS NETO)






"Um povo ignorante tem como seus representantes políticos corruptos".
(ARAMIS NETO)






"Nunca ande pelo caminho traçado, pois ele conduz sómente até onde os outros foram."
(Grahn Bell)







"Sempre há um pouco de loucura no amor, porém sempre há um pouco de razão na loucura.!
(F.Nietzshe)







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A VIDA NO ASILO

 

Às vezes me pego em momentos de lucidez. E me vejo criança, brincando nas ruas, de ciranda, de bola de meia, de pique - esconde. Ou outras brincadeiras da época de minha infância.

Ainda lembro a voz de minha mãe chamando para almoçar, ordenando que lavasse as mãos antes de sentar à mesa.

Me pego às vezes recordando os amigos de escola, em todas as suas fases. Do jardim de infância à faculdade. Dos namoros, das aventuras. Das atividades rebeldes-políticas, na época da ditadura Getuliana ou Militar.

Sempre fui muito ativo, de atitudes agressivas no trato dos negócios.

Casei com a mais bela garota que conheci. Constituí família. Criei meus filhos e ajudei a criar meus netos. Possuí tudo o que desejei na vida. Não construí fortuna, mas não posso me queixar de minhas posses. Fui feliz por um bom tempo em minha vida. Até que a vida começou a me cobrar o preço das coisas que me foram dadas.

Com o passar do tempo fui perdendo pedaços de mim. Deixei a visão perfeita em algum lugar entre os quarenta e cinqüenta anos. Minhas pernas deixaram de me obedecer aos setenta. E minha memória me abandonou aos oitenta.

Hoje vivo do flash de recordações que se atrevem a me atormentar nos momentos de lucidez.

Não queria me lembrar de que aos setenta e cinco anos, meus filhos, por acharem que eu não mais tinha condições de viver entre eles, na própria casa em que construí, me colocaram neste asilo pra ser cuidado por estranhos. E viver da caridade de algum voluntário que me põe a colher de sopa na boca ou troca minha fralda geriátrica.

Não consigo mais controlar as minhas necessidades fisiológicas. Acho que foi por isso que meus filhos me colocaram aqui no asilo. Eles ficavam brigando para decidirem quem cuidaria de mim no final de semana.

Minha amada esposa, a mãe de meus filhos, DEUS  a levou para junto de si quando fiz sessenta e oito anos. Desde então estou sozinho, sem ter alguém que realmente se importe comigo.

Viver em asilo, é como se ser descartado do mundo. É ser colocado em um armário no depósito, junto com outras coisas em desuso.

Acho que DEUS me presenteou com a perda de memória. Pois quando ela vem. E a cada vez ela é mais duradoura. Eu deixo de sofrer ao ver que não sou mais a pessoa que um dia fui. Que já não posso fazer as coisas que antes fazia. Que já não sou importante para a minha família ou para o mundo.

Sei que a morte vira me buscar. É a única certeza que tenho da vida. E se tenho o direito a um último pedido, gostaria de ter a morte que meus pais e minha amada esposa tiveram. O direito de morrer na companhia de meus familiares, para não me sentir abandonado neste ultimo momento na terra.

 

 

 ARAMIS – 30/12/10.  

 



- Postado por: Aramis às 19h03
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Sonhos de um Mosqueteiro - Aramis




RESPOSTA...

 

Ainda trago em meu corpo o teu cheiro.

 

Do qual não quero me livrar,

 

Pela lembrança das horas loucas que juntos vivemos.

 

 

Ainda sinto a pressão do teu corpo contra o meu.

 

Ainda tenho o seu batom e o gosto do teu beijo em meus lábios.

 

Ainda sussurro o teu nome entre frases inteligíveis...

 

Prenúncio do gozo que nos arrebata.

 

 

Procuro entender o que nos levou a essa insensatez.

 

E no mesmo instante não quero saber de nada.

 

Apenas continuar saboreando as delícias o teu corpo.

 

E continuar aprendendo contigo

 

Sobre a simplicidade da vida.

 

 

Acordar com a visão do teu sorriso,

 

É ter a certeza de um dia perfeito.

 

E mais uma vez, antes da despedida, fazemos amor.

 

Um amor tão intenso, que nos fundimos em espectros.

 

E atingimos uma dimensão ainda desconhecida aos mortais.

 

 

Dormir sem você ao meu lado,

 

Me impele a te procurar em sonho.

 

Transpondo assim a barreira do impossível,

 

Apenas para poder te sentir novamente.

 

 

Te espero... te quero... te necessito...

 

 

 

 ARAMIS – 13/12/10.



- Postado por: Aramis às 00h33
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Sonhos de um Mosqueteiro - Aramis




CUMPLICIDADE

 

Talvez tenha a vida conspirado com destreza.

E optado por juntar-nos somente nesta fase.

Em que nossas vidas já percorreram caminhos

Repletos de juventude e incertezas.

 

Talvez eu já tenha lhe visto,

Mas não tenha lhe reparado.

E nenhum verso tivesse lhe escrito ou ofertado...

Para que somente agora pudesse sentir

O tremor do choque no contato da pele.

 

Talvez eu precisasse

Viver na calmaria da normalidade,

Para poder desfrutar e apreciar

A plenitude do sabor da loucura...

Da paixão, do tesão e da ternura.

 

Talvez tenha guardado os beijos que evitei,

Juntado-os e aquecido-os no peito,

Para dá-los em momento oportuno,

Em prazerosos e intermináveis combates noturnos,

Nos lábios da musa que do tempo roubei.

 

Desafio o tempo com a juventude da alma.

Como um atleta olímpico,

...Sem calma...

Transponho a barreira dos tabus

Num rompante ímpeto.

 

Talvez,

Apenas talvez...

 

ARAMIS – 20/10/10.



- Postado por: Aramis às 01h28
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Sonhos de um Mosqueteiro - Aramis




  

 PODRES PODERES...

 

                                             Ainda lembro da correria nas ruas. Das conversas sussurradas nos bares e esquinas. Da maldição endereçada à censura. Das invasões em jornais e canais de televisão feita pelos controladores da lei.

                                            Tudo para assegurar o silêncio das vozes e não se propagar a violência e o pânico.

                                             O povo queria a liberdade de imprensa. A liberdade para se comunicar livremente, sem o controle do estado e sem os olhos censuradores sobre si.

                                            Trinta anos se passaram desde o suicídio da Ditadura Militar.  Trinta anos em que se desenvolve uma nova sociedade e se moldam novos costumes.  

                                            O Estado abriu mão do controle da sociedade, deixando a ela própria a responsabilidade de seu destino. Como um pai ao dar as chaves do carro ao filho que acaba de completar dezoito anos e o vê sair da garagem em alta velocidade.

                                            Nós, o povo, o cidadão comum, continuamos à mercê da ditadura, sem podermos questionar ou nos defender. Só que antes vivíamos a ditadura militar . Aquela que controlava tudo com mão de ferro e a fazia pesar sobre aqueles que a questionavam. E hoje, vivemos sobre uma ditadura pior e mais desumana, a ditadura da “MÍDIA”. Pois esta não quer o benefício da sociedade como um todo e sim o seu próprio benefício e bem estar. Ela manipula as massas através dos “centrísmos” e da vaidade pessoal. Ela destrói sem piedade a vida das pessoas, apenas para vender seus comerciais e ganhar mais dinheiro.

                                            Esta é a liberdade pela qual lutamos?

                                            Quando vemos uma decisão jurídica sendo tomada em concordância aos apelos condenatórios da mídia e esta, (A JUSTIÇA),  justificar-se dizendo: “Esta decisão foi tomada em acordo ao clamor público”...

                                           Que clamor? Que público?...

                                           Independente da culpabilidade ou inocência do suspeito, a lei justa e imparcial, dá o direito à duvida a todos os cidadãos questionados por ela, até que se prove o contrario. E o que estamos vendo é justamente o contrario...

                                            “Todos somos culpados, se assim a MÍDIA o quiser”.

                                            A MÍDIA fomenta o ódio e induz à violência, quando “joga” a população contra esta ou aquela pessoa. Os tais cinco minutos de fama. Aparecer em frente a uma câmera proferindo palavras de ordem, mesmo que para isso tenham que faltar ao serviço, ou ficarem horas sob o sol escaldante ou a chuva torrencial. 

                                            A MÍDIA faz presidentes e os destitui ao seu bel prazer.  Fortalece o crime e a marginalidade, quando persegue os atos policiais apenas por revanchismos de outrora.

                                           A MÍDIA intimida, não com armas, mas com luzes, câmeras e refletores.

                                          Em breve veremos nas chamadas dos tele-jornais o seguinte:

                                          “Este Inquérito Policial esta sendo patrocinado pelo “produto tal...” e transmitido com exclusividade pela “emissora tal...” ou: “Este julgamento tem o patrocínio... Com transmissão exclusiva da emissora... Onde você fica sabendo com antecedência sobre o veredito dos jurados...”

                                            QUE ESTE PAÍS E ESTA DEMOCRACIA VOLTEM A TER APENAS OS TRES PODERES CONSTITUÍDOS.

 

  ARAMIS – 20/07/10. 

 



- Postado por: Aramis às 13h47
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Sonhos de um Mosqueteiro - Aramis




HOMENAGEM ÀS MÃES.

 

Quisera escrever poesia,

Ou cantá-la em MÁTER sinfonia.

Mas não me sai do pensamento

Aquela que carrega o tormento

De angustiar o sentimento de um filho ausente.

Que em oração ao DEUS temente,

Pede-lhe a proteção ao rebento,

Não esquecendo a dor em nenhum momento,

A dor da perda...

Mesmo a perda de um filho vivo.

Queria tê-lo são e altivo.

Mas o destino cruel e cativo

Poda-lhe da felicidade o ensaio.

Choram as mães da Praça de Maio,

Choram as mães dos filhos enviados à guerra,

Choram as mães dos escravizados pelas drogas,

Choram as mães das vitimas das balas perdidas,

Choram as mães das dores vividas,

Pelos filhos que trouxeram ao mundo,

Que num choro mais profundo,

Preferiam serem elas mesmas a sofrer

E não o fruto do seu benquerer.

Choram as mães dos encarcerados,

Dos desumanos, dos insanos e dos desgraçados.

Choram as mães por terem carregado no ventre a esperança,

E no peito amamentado a criança

A quem desejou tanta bonança.

Neste dia,

Em que a condição de mãe se homenageia,

Que a MÃE de todos...

Aquela que chorou por seu filho na CRUZ,

Interceda por vós, (mães), junto a JESUS,

E lhe traga serenidade ao coração...

 

 ARAMIS – 05/05/10.



- Postado por: Aramis às 13h40
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Sonhos de um Mosqueteiro - Aramis




ESPELHO

 

Somos reflexo um do outro,

Quando nossa semelhança inversa

Nos une em um paralelo temporal,

 

De tempos em tempos nos alinhamos

Como o sol e a lua em eclipse.

Agitamos o mar, criamos vendavais,

Enquanto nos descobrimos

Em aproximações sentimentais.

 

Nossa diferença se faz igual.

Se digo cinqüenta e seis,

Você diz sessenta e cinco.

Se falo cinqüenta e quatro,

Você, quarenta e cinco.

E assim inversamente

Caminhamos nessa igualdade paradoxal.

 

Nossos corpos se completam,

Nossas bocas se procuram,

Nossa pele arrepia

E nossas vontades se locupletam.

 

Cultivo flores em jardim imaginário.

Uma em especial ao cultivá-la me deu frisson.

Pois colhi em meio a tantas flores,

A mais linda rosa de néon.

 

 

ARAMIS – 22/04/10.



- Postado por: Aramis às 03h20
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GUARDIÕES DA LEI

 

Sinto o cheiro da morte nos becos escuros.

A “gosmeticidade” dos medos por trás dos muros.

E a necessidade da felicidade em cada rosto perplexo.

A vida levada aos trancos, sem piedade nem nexo.

E como ungüento amenizador e burlador das dores sociais,

Há o futebol, o carnaval, o direito ao voto nas urnas eleitorais

E muito sexo...

Sou parte do imposto que você paga.

Minha missão seria a de lhes dar segurança,

Ser um exemplo e um ídolo para cada criança.

Assim como outros o foram em minha infância.

Mas o revanchismo me puniu sem julgamento,

Amarrou minhas mãos,

Limitou meus passos com grilhões,

Para que políticos corruptos

Pudessem arrecadar em novas falcatruas mais bilhões.

Sou parte da sociedade assim como você o é.

Faço compras no mercado, levo filhos na escola,

Jogo bola e até tenho chulé...

Também pago meus impostos, também fico doente.

Também tenho na mente, o sonho de uma vida melhor.

Só vejo as desgraças que existem no mundo,

Defendo a vida no mais profundo lodo,

Como um anjo guerreiro e sua espada de fogo.

Vejo crianças entrarem no mundo do crime,

Atrás do sonho de consumo.

Uma ascensão rápida ao capitalismo,

Pegando em armas, executando ou vendendo fumo.

Para terem um tênis de marca,

Ou virarem destaque e serem temidos na comunidade,

Essa é a sua necessidade.

E a vida lhes passa muito rápido,

Como uma passagem meteórica.

Viram debates e estudos

De estudiosos comportamentais,

Em milagrosas soluções teóricas.

E nada se faz...

Então, viro desculpas para o fracasso,

Ao invés de virar solução.

Se mato, sou despreparado.

Se morro, não fiz mais que minha obrigação.

E minha família que se vire depois da minha morte.

Quem mandou minha mulher não ter sorte

E se casar com o dono do carro forte,

Ou com algum anistiado com uma gorda indenização...

 

  ARAMIS – 18/02/10.



- Postado por: Aramis às 00h52
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Sonhos de um Mosqueteiro - Aramis




A BOLA

 

 

Chego nos braços de atlético corpo.

 

Que carinhosamente me acomoda no centro...  em destaque.

 

E como uma Deusa clamada, aclamada, amada e disputada

 

Faço-me indiferente em um sono absorto.

 

 

Então,

 

Deixo-me conduzir pelo mais hábil

 

Que sabedor da arte em fazê-lo,

 

O faz de forma fácil.

 

 

Percorro longas distâncias pelo ar,

 

Até morrer no peito de quem me sabe tratar.

 

E com a classe de uma porta-bandeiras na passarela,

 

Desfilo sublime em verde tela.

 

 

Vou e volto diversas vezes.

 

Sempre com o mesmo objetivo de ambos os lados.

 

Romper as defesas do adversário,

 

Que vencidos permanecem calados.

 

 

Aos vitoriosos o direito à folia.

 

Entre pulos, abraços ou gestos coreografados,

 

Fazem de seus simpatizantes, a alegria.

 

E poses ao serem fotografados.

 

 

Quanto a mim,

 

Após o termino da peleja,

 

Sou guardada em um canto,

 

Numa espécie de camarim.

 

E todos vão ao botequim,

 

Comemorar-me com cerveja...

 

 

 ARAMIS – 09/02/10.



- Postado por: Aramis às 14h01
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BOAS FESTAS.

 

 

“FELIZ NATAL E BOAS FESTAS”...

Ouvi isso por toda a minha vida, desde a minha mais remota lembrança. As pessoas um mês antes do Natal já começavam a se cumprimentarem. E sentíamos honestidade nas palavras. Era um sentimento verdadeiro.

As pessoas, mesmo estranhas, ao se cruzarem nas ruas, na breve troca de olhares diminuíam as passadas rápidas e com um sorriso sincero desejavam “BOAS FESTAS”. E se sentiam bem com esse pequeno gesto.

No comercio, junto com o troco, sempre vinham os votos de “BOAS FESTAS”.  

O QUE MUDOU? Será que fui eu que cresci e perdi o encanto? Ou é o mundo e as pessoas que estão mudando?

Havia poesia no ar nessa época do ano. Tudo parecia ser mágico. Mesmo já havendo descoberto a inexistência de Papai Noel. Mesmo assim havia em nossos corações a credibilidade em algo mágico e divino. Havia amor no coração das pessoas.

Hoje, a individualidade e a competitividade afastam as pessoas. Elas se vêem como concorrentes em um mundo capitalista, consumista e desumano. Para a maioria, “O amor ao próximo e a gentileza são sinônimos de fraqueza”.

Como posso querer um mundo melhor para meus filhos, se eu mesmo estou a cada ano matando o mundo melhor em que vivi. Um mundo em que as pessoas respeitavam os mais velhos e suas experiências de vida. Um mundo em que a criança era apenas criança, com direito a brincadeiras de rua e amizades ingênuas. Um mundo em que cada um respeitava o espaço do outro, onde havia diferença entre os sexos. Um mundo em que tudo era feito pra durar. Até o casamento era duradouro.

Não posso voltar no tempo e resgatar o que estou perdendo, o que joguei fora. Não posso obrigar as pessoas a pensarem como eu e enxergarem o que estou enxergando. O mundo sendo destruído pela ganância e pelo egoísmo.

Mas posso desejar de todo o meu coração, com toda a minha honestidade e com toda a verdade de meus sentimentos...

... “Que o verdadeiro significado do Natal volte a aquecer nossos corações. E que desejemos mesmo a quem se diz nosso inimigo, o que de melhor desejaríamos que acontecesse a nós mesmos. Um mundo com água e ar limpos e abundantes. Janelas abertas nas noites de verão e por ela entrando somente a brisa para refrescar-nos. A consciência leve e tranqüila ao se dormir. O sonho dos anjos e o despertar na felicidade”.

 

MEU CARINHO, MEU RESPEITO E MINHA FÉ NA HUMANIDADE... 

 

 

 

ARAMIS – 24/12/09.



- Postado por: Aramis às 17h30
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MENINO LEVADO...

Menino levado, levado da breca,
De cabelo espetado, sorriso esganiçado,
Saltando por tudo, feito uma perereca.

Menino levado, levado por todos,
De ingênua atitude,
Mesmo sujo de lodo,
A pureza e a bondade,
Num simples gesto alude.

Menino levado, de artes infindas,
Pinta no céu com as mãos
Arco-íris, sóis e as estrelas mais lindas.

Menino levado, levado pelas águas da cachoeira,
De momentos alegres e divertidos.
Em gritos, brincadeiras, correrias e sorrisos.
E ao final, o descanso à sombra da amoreira.

Menino levado, levado pela vida.
Não cresça menino,
Que a estrada de espinhos lhe fará ferida
E o caminho traçado se chamará destino.

Menino levado, levado pelo tempo.
Já não sonha com heróis, já não crê em fantasias.
Teus sonhos foram levados pelo vento,
Enquanto sua ingenuidade se desfazia.

Menino levado, que já nada mais leva.
Que deixa espalhado no caminho,
Pedaços de sua carne, gotas de seu sangue,
Migalhas do pão que come,
A juventude que agora a vida lhe nega
E herdeiros que levam seu nome.

Menino levado, levado pela morte.
Que herança deixará,
Quem de ti se lembrará
E quem por sua falta chorará.

Menino levado... menino que foi...

ARAMIS – 28/09/09.



- Postado por: Aramis às 01h48
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Sonhos de um Mosqueteiro - Aramis




 

APARIÇÕES

 

 

Insólito destino,

 

Que se apossou de minha vida após conhecê-la.

 

Invadindo meus momentos,

 

Tomando as rédeas de minha inconsciência,

 

Em atos e pensamentos.

 

 

Furtivas aparições de teu espectro,

 

Em ondas insanas, sem nexo.

 

E eu...

 

À mercê de minha loucura,

 

Procuro desesperado por uma cura.

 

...Mas meu remédio é você.

 

 

Tento fugir de você fugindo de mim.

 

Já deixei meu amor e meu ódio

 

Gravados em nanquim.

 

Palavras que serviram de inspiração

 

Para outros amores,

 

Celebrando a reconciliação ou o encontro,

 

De almas-metades em sua fusão.

 

 

Como não pensar em você,

 

Se a constância de sua presença

 

Está no ar, nos sonhos e na crença.

 

 

Improviso amores,

 

Na tentativa de embriagar-me na luxuria

 

E vendar meus olhos à sua aparição.

 

Mas não...

 

 

Lá está você...

 

Presente em outros corpos,

 

Em beijos de outras bocas,

 

...Em minha cama,

 

Nos momentos de paixão.

 

 

Quero exorcizá-la de meu pensamento,

 

Mas me pego a todo o momento,

 

Ainda amando você...

 

 

ARAMIS 21/09/09.



- Postado por: Aramis às 03h33
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 "UM BRINDE À VIDA"

 

Se me deixar ainda jovem, a vida,

Que me deixe por inteiro,

Enquanto meus olhos ainda observam as belezas

E minhas pernas ainda obedecem meus desejos.

Que ainda possa desfrutar das emoções e vivê-las.

Sem culpas, sem medos, num agraciar da fortaleza.

Quero sentir-me vivo, sem limitações,

Apenas dando vazão as emoções.

E viver... apenas cometer o ato insano de se viver

Do raiar do dia ao novo amanhecer.

Quando me for limitada a vida,

Que ela não me passe desapercebida.

Não suportaria a vontade de viver e não podê-lo

Quero ser da forma de vida um modelo.

Pois a vida reflete-nos como a imagem de um espelho.

Onde tudo é exatamente como é

O que somos, não podemos escondê-lo.

Então,

Que a vida me leve enquanto ainda a tenho...

 

ARAMIS - 03/06/09.



- Postado por: Aramis às 01h36
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ROSA DE NEON

 

Nada me daria mais prazer do que tê-la em meus braços.

Sufocá-la com meus beijos e abraços,

Saboreando cada gota do teu suor.

 

Prova da extenuância ante a batalha maior.

Em que nossos corpos sedentos de amor,

Entregam-se da luxuria da carne ao sabor.

Então, faço-me teu jardineiro.

Cultivando tua terra, inalando o teu cheiro...

 

Tenho todo o pouco tempo que as horas me dão,

No tic-tac do relógio,

Sincronizado com as batidas de meu coração.

 

Quando do findo da areia na ampulheta,

Vejo, na cama,

No acende e apaga das luzes, tua silueta.

 

E viajo na velocidade do som de teus prazerosos gemidos,

Que dissolvem as grades das celas interiores,

Libertando meus desejos mais reprimidos.

 

Olho para a parede,

De onde emana o pisca-luz e seu diversificado tom,

E vejo-a, muda testemunha ruborizada...

Sobre tua cabeceira,

A ROSA DE NEON...

 

ARAMIS – 30/07/09. 

 



- Postado por: Aramis às 00h20
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O COBERTOR DE LÃ

 

O pastor tosquiou a ovelha que aos balidos tentava inutilmente resistir.

A lã recém cortada foi enviada a indústria de confecção, onde depois  de todo o processo de produção, resultou em

 um lindo e aquecedor cobertor de casal.

Após passar pelo controle de qualidade, o cobertor é embalado e transportado até a loja, onde fica exposto para

ser vendido.

Passado algum tempo, ele é comprado e dado de presente a um jovem casal em suas núpcias.

Quantos momentos felizes o cobertor aqueceu. Teve aquela vez, quando o casal brigou pela primeira vez e o marido

 o pegou juntamente com o travesseiro e foi dormir no sofá da sala. E aquela outra vez, em que a mulher enrolada

nele, corre em direção ao marido que entrava em casa ao retornar do trabalho e abrindo-o como se fosse uma capa,

expõe sua barriga dizendo estar grávida. E os dois se abraçam e se enrolam nele aos beijos.

E também teve aquela vez, quando o filhinho do casal estava com trinta e nove graus de febre e foi enrolado nele

pra que seus pais o levassem apavorados ao hospital.

Passado alguns anos. Depois de aquecer tantos momentos de amor, de brigas e reconciliações, o cobertor é

disputado na partilha dos bens do casal que se separa.   

O cobertor acaba ficando com a mulher, que não suportando mais vê-lo e recordar-se dos doces momentos

presenciados por ele, acaba por doá-lo a uma instituição de caridade.

Na instituição ele é recebido com alegria, lavado, perfumado e embalado. Pronto para ser entregue a alguma

 família carente e aquecer suas frias noites.

E é isso que acontece quando das primeiras rajadas frias do inverno. A instituição escolhe uma pobre família do

lado mais carente da cidade e lhe presenteia com o cobertor.

Aquele cobertor de casal agora cobria nas frias noites os corpos da mulher e seus cinco filhos. Para eles, um

presente de DEUS.

Durante anos o cobertor de lã aqueceu aquela família. Mas o tempo passou. E até o cobertor envelheceu.

Achando que não mais havia serventia para o velho cobertor, a mulher coloca-o na calçada, juntamente com

algumas tralhas, para ser levado pelo caminhão de lixo.

Mas antes do caminhão de lixo passar, passa um velho morador de rua, que vendo o cobertor ali jogado, pega-o

agradecendo a bondosa alma que o jogara fora.

Agora, aquele velho cobertor de lã começava a cumprir sua ultima missão. E a cumpriu da forma mais honrosa que

jamais poderia imaginar o pastor ao tosquiar sua ovelha. O cobertor aqueceu ainda por várias noites o velho

mendigo. Que em uma noite fria e úmida, DEUS resolveu levá-lo enrolado naquele surrado cobertor de lã. 

                     

 ARAMIS – 06/05/09.

 



- Postado por: Aramis às 18h46
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UM COMETA CHAMADO

“MICHAEL JACKSON”

 

 

 

Cometa em contato com a atmosfera,

Que em seu passar levantou as águas,

Acordou em sonhos, tremeu a terra.

Lutou batalhas com trombetas,

Mostrando ao mundo suas injustas diferenças.

E se fez igual em cores diferentes,

Provando assim,

Ser o impossível inexistente.

Isolado em sua “cosmeticidade”,

Fez do “Peterpanismo” sua verdade.

Pois só à criança pertence o paraíso.

Querendo levar o adulto de volta ao juízo,

Levantou bandeiras sem pensar em prejuízo.

Fez da música sua oração,

De seu corpo o templo de adoração.

E cantou suas dores

Eternizou seus amores

Na sonoridade da canção.

Já no final,

Como que sabedor de seu retorno ao cosmo,

Lançava seu olhar ao infinito,

Demonstrando uma tristeza de despedida,

Que de triste se fez bonito.

Ou quiçá, a dor da ferida de não se fazer entender. 

E brilhou seu brilho mais luzente ao morrer...

 

ARAMIS – 28/06/09.



- Postado por: Aramis às 18h55
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