"Sonhos de um Mosqueteiro"
Este livro (blog) contêm crônicas e poemas por mim escritas, nas
quais eu fiz questão de manter a data em que as mesmas foram elaboradas para que
pudessem servir como testemunho de seu conteúdo "profético", e como um alerta
para aquelas que ainda não foram concretizadas. ![]() (ARAMIS NETO) ![]() (ARAMIS NETO) ![]() (Grahn Bell) ![]() (F.Nietzshe) ![]()
H/ALMA GUERREIRA/ olá amigo,sem palavras para o seu blog e seus textos,aceite um premio meu,nº 1 meu maximo o number one
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TEMPLO MEU... PALÁCIO OU MANJEDOURA?
Natal, época de reflexão, de solidariedade, de perdão... Quantos e quantos natais já passamos sob esta falsa semântica. Onde as palavras são apenas palavras sem sentido. Quando os sentimentos são fingidos ou apenas interpretados, como em um grande teatro ao ar livre. Votos de felicidades apenas vomitados pelas bocas insensíveis. Quantos de nós realmente se fez o berço do menino Jesus? Feche seus olhos e entre em si mesmo. Percorra seus espaços mais ocultos, seus becos e vielas. Veja seu corpo como uma estrada nesta noite de natal. Por onde a Virgem Maria e José percorrem, procurando um lugar seguro para que Maria possa dar a luz ao "DIVINO REBENTO". Olhe-se, introspec-se, analise-se... E veja quem realmente você é nesta noite. Seu templo cárneo é um palácio cheio de pompas e tesouros com suas portas fechadas, ou uma humilde manjedoura, porém quente e acolhedora? Quantos de nós se fará merecedor para receber o filho de DEUS? Sei que não sou perfeito. Que tenho defeitos e que carrego em meu peito pecados pelos quais amargo minhas fraquezas. Porém, quero com toda a minha vontade, vir a ser merecedor de acolher aquele a quem a ESTRÊLA GUIA anuncia. Meus votos, são para que neste e em todos os natais, sejamos manjedouras, para que possamos receber o Menino Jesus em nossos corações. FELIZ NATAL...
ARAMIS - 23/12/08.
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- Postado por: Aramis às 19h42 [ ] [ envie esta mensagem ] :: Enviar esta mensagem
FEIJÃO QUEIMADO
Pega a lenha, Põe a lenha pra queimar no fogão. ...Fogão à lenha... Que aquece o ambiente Como o amor aquece o coração.
E o feijão? Ponha ele sobre a mesa E comece a separação. Separe os grãos bonitos das pedras e dos bichos. Os carunchos? Caruncho é bicho? Então faz parte do nicho... Mas nem por causa disso eu vou comer isso!
Lave bem lavado o feijão na gamela, Depois jogue dentro da panela. ...(Na de barro)... E comece a "ferveção".
E dos temperos nem me fale, Soque o alho com a salsinha, Não esqueça a cebolinha E a quantidade de sal que lhe agrade. Acrescente um toucinho defumado, O paio e o lombinho. Que é só pra dar um gostinho E ficar mais apreciado.
Quando cortei a cebola, Me rolou uma lágrima. Aproveitei essa lágrima ardida E lembrei da rapariga que feriu meu coração. Ela fugiu com um homem mais novo, Na garupa de seu cavalo, que nem era alazão. Ela partiu e me deixou na cidade mal falado, Com chifre que nem o diabo, Por causa da traição.
Sempre que lembro dessa façanha, Acabo tomando canha E dormindo pelo chão.
"Oh" mulher "disgranhenta", Que nem a cachaça afugenta, Tirando do meu pensamento. E eu empacado nela que nem jumento, Acordo sendo lambido pelo cachorro, Que se não me acorda eu morro, Com a cozinha toda esfumaçada E eu lá deitado, Acho até que de tanto álcool desmaiado, Só me resta agora, É comer o feijão queimado...
ARAMIS - 08/12/08.
- Postado por: Aramis às 10h09 [ ] [ envie esta mensagem ] :: Enviar esta mensagem
AMANTE DA LUA Mal ela sai, saio em seguida. E nas esquinas, em luzes de neon encontro a vida Que poetas boêmios e loucos seresteiros cantaram, A certeza de em comum no peito carregar o sentimento refeito Da cruel experiência daqueles que amaram. Brindo a vida e a angustia em copos e taças, Entre vinhos, cervejas, champagne ou cachaça. Muitas vezes no próprio gargalo, Onde no refúgio da embriaguês regalo, E afogo todas as mágoas em lágrimas caladas. Banho-me de prata, Como se revestindo-me em couraça inexpugnável. Ouriço recluso em si próprio por sintoma de dor insuportável. A dor que dói , mutila a alma mas não mata. Brindo à lua, Testemunha de loucos momentos, de gozos ou lamentos, Que vivi... talvez... que sonhei... pensei...nem mais sei A insana mania de querer amar a tudo que a lua toca Com sua mágica prata inebriante, alucinante, ofuscante. Em cujos brilhos alucinógenos enveredei. E assim, Entre pratas e sombras vôo sobre minha própria cabeça. Pensamentos dispersos procurando sintonia, De frases sem sentido transformadas em poesia, Para assim que surgir o primeiro raio do dia, Assinar em letra dourada, Ao se cerrar as paginas da lua... ...FIM... ARAMIS – 18/11/08.
- Postado por: Aramis às 00h59 [ ] [ envie esta mensagem ] :: Enviar esta mensagem
POR AMOR A VIDA É por amor a vida que me deixo viver. É por te amar que te quero livre. Sem correntes, sem gaiolas, sem vínculos. Sem a subserviência da fiel enfermeira, Que ao lado do leito de morte Esboça um sorriso confortador. Não quero pena, muito menos a gratidão. Ou a companhia obrigada pela compaixão. Quero a vida mesmo na morte. A dignidade de se morrer livre e feliz. Livre dos compostos químicos que nos prendem a matéria. Das privações dos sabores das cozinhas, Livre para os porres da noite anterior. Livre dos olhares piedosos e inquietos. Livre daqueles quinze minutos de visita nas UTIs Que nunca terminam, E que parecem ter o poder de parar o tempo. Quero a qualidade e não a longevidade. Quero desfrutar de tudo que me foi exposto pela vida. Quero comer e beber a vida sentindo todo o seu sabor. E não esconder-me dela, Com medo de me expor. Talvez me chamem de louco suicida Por recusar-me à vida limitada. Quero-a plena mesmo que breve. E não comedida... Eu a quero alegre. Como um banho de chuva em um dia de verão. A liberdade exalando pelos poros. Dançar ao imaginário som de uma canção. E viver... Apenas viver a plenitude do tempo que me resta... ARAMIS – 09/08/08.
- Postado por: Aramis às 14h42 [ ] [ envie esta mensagem ] :: Enviar esta mensagem
“CAUSA MORTIS” et “CAUSA VITAE”
Ainda que a morte me seja certa e breve,
Ainda que me carregue a culpa de não ter vivido tudo o que podia,
Ainda que para contrariar-me a mim que vivi nas luzes das noites,
Morrer-me na claridade do dia...
Ainda assim terá tudo valido à pena.
Não ter ganhado na Mega-Sena,
Mas ter possuído a fortuna incomparável dos amigos.
Que sóbrios ou bêbados dividimos sentimentos,
Alegres como o nascimento de um filho,
Ou doloridos como a perda de um ente querido.
Que as amantes que tive em meus braços,
Em “cópulus laços”, em beijos e abraços,
Àquelas que satisfiz e que me satisfizeram,
Sintam-se um pouco viúvas de mim...
Que em cada brindar dos copos de cerveja
Alguém me brinde em pensamento.
E sorrindo,
Se recorde de algum hilário momento marcado no tempo.
Que um samba levado na roda de amigos cite meu nome,
Que nenhuma criança mais no mundo sinta fome,
Isso me fará feliz...
Que minha passagem pela vida deixe fundas pegadas.
E que elas sirvam de guia a quem se achar perdido.
Que meus versos sejam flores ofertadas à amada,
Prenúncio de um grande amor vivido.
Que as lágrimas que chorei pela dor do irmão,
Sirvam de alimento à terra de onde nascerá o fruto da paz.
Que violência no mundo nunca mais.
E que a inocência dos ébrios seresteiros
Resistam à fria realidade contumaz.
E que na lápide fria,
Durante minha autopsia,
Sejam descobertos fragmentos de amor à vida,
De felicidade, de noites descabidas,
De irreverência, de respeito e amor ao próximo.
E de muitos momentos de alegria.
E aos meus herdeiros,
Que de minhas qualidades se façam meeiros.
E respirem a vida como eu a respirei.
Pois lá estará,
No frio papel em letras de forma.
De forma que não haja a mínima dúvida.
Em que a “causa mortis”,
Foi o excesso de vida...
ARAMIS – 06/08/08.
- Postado por: Aramis às 03h36 [ ] [ envie esta mensagem ] :: Enviar esta mensagem
PRECONCEITUOSO?...
NÃO!... APENAS BOM SENSO. Ano de 2008. A humanidade vem durante séculos brigando por conquistas de direitos. A quebra de barreiras limitadoras e divisoras de conceitos e comportamentos. Em quase todos os atos de rebeldia a mulher se destaca como sendo a protagonista. E assim tem sido pelos séculos. A moda, sempre demonstrando a ousadia da mulher em expor e valorizar seu corpo, exibindo sua sensualidade. A mulher conquistando direitos antes exclusivos dos machos da espécie, como fumar em público, dirigir veículos automotivos, cavalgar com as pernas abertas sobre o cavalo, andar de bicicleta, o direito de votar, trabalhar fora de casa, de ser mãe solteira, ter o direito de exigir o desquite e continuar sendo respeitada como mulher. E tantas outras conquistas de maior ou menor efeito “chocoso” aos padrões culturais de suas épocas... Assim como a libertação dos escravos e a teoria de suas aceitações como iguais na sociedade. O que até hoje ainda não é cumprido em sua totalidade e amplitude desejadas. Essas e muitas outras quebras de conceitos têm modificado constantemente o comportamento da sociedade como a conhecemos, pelos tempos e história da humanidade. Todas essas modificações de comportamento tiveram seus adeptos e seus contrários. E até mortes existiram nesses confrontos de opiniões. Mas o que me preocupa agora, é o movimento que se faz presente atualmente para se expor em público a sexualidade de cada um. O direito em se explicitar relacionamentos homossexuais... Não sou preconceituoso. Acho que cada um tem o direito de escolher como quer viver sua vida, desde que não interfira na vida de outros. Nada demais, quando pessoas adultas e teoricamente formadas psicologicamente, optam por um ou outro estilo de vida sexual e o mantém entre quatro paredes. Mas expor as crianças que ainda estão em formação física e psicológica a esses bombardeios de informações imprecisas, acho muito perigoso e irresponsável. Como será a atitude dos pais quando seu filho de doze anos chegar em casa, após as aulas, e disser que está namorando e quer apresentar “seu namorado” a eles. Ou quando sua filha de dez anos trouxer sua amiguinha pra dormir em casa e na manhã seguinte receberem a noticia de que não são apenas amiguinhas e sim namoradas. Qual será a atitude desses pais nessas situações?... A liberdade de expressão é um dos preceitos da democracia. Mas a responsabilidade e o bom senso têm que estar acima disso. O mundo muda rápido demais e precisamos ter discernimento para escolhermos o melhor para deixarmos aos que vierem depois de nós. Gerações passadas ou mesmo a nossa, cometeram erros de escolhas as quais pagamos caro nos dias de hoje. Nem tudo que parece ser bom hoje, será bom amanhã. Assim como as drogas, que representavam a liberdade para os jovens dos movimentos hippies nos anos sessenta e hoje representam o mal da humanidade, foi uma péssima escolha. Não podemos ter a irresponsabilidade de fazermos novas escolhas erradas. Somos responsáveis hoje pelo que a sociedade e a humanidade colherão amanhã. Não sou preconceituoso, apenas tenho bom senso...
- Postado por: Aramis às 21h13 [ ] [ envie esta mensagem ] :: Enviar esta mensagem
VIOLÊNCIA URBANA... Muito se tem falado sobre o descontrolado aumento da violência e suas diversas manifestações em todos os âmbitos sociais. São gastas fortunas em reuniões de cúpulas para discussões sobre medidas a serem adotadas no combate à violência e à criminalidade. Mas pouco ou nada se faz de substancial em medias eficaz nesses combates. Discordo da afirmação de que estes problemas não tenham solução... Tem sim. E várias; tais como: Para os "DARVINIANOS", a solução do problema estaria na evolução da espécie. Para os "RELIGIOSOS", a solução estaria nas manifestações divinas. Para os "SOCIOLOGOS", a solução seria de âmbito humanitário. E para os "MAQUIAVÉLICOS", a solução estaria na aplicação de medidas drásticas... "DARVINIANOS" – Assim como na era pré-histórica, os grandes DINOSSAUROS quando se proliferaram em quantidade excessiva. E por sua natureza predatória pôs em risco o equilíbrio do planeta, a natureza optou por extingui-los, criando uma nova espécie de seres menos danosos ao planeta. Para os "DARVINIANOS", o mesmo poderia ocorrer na era contemporânea, com a natureza criando uma mutação genética nos genes da espécie humana, excluindo de sua composição os genes da agressividade. Salvando assim a raça humana de ser o causador de sua própria extinção. E conseqüentemente salvando o planeta. "RELIGIOSIDADE" – Para os religiosos, a solução está na manifestação divina como castigos à desobediência dos mandamentos. Assim como grandes catástrofes, (tsunames), erupções vulcânicas, terremotos, dilúvios, furacões, desequilíbrios climáticos, tempestades, aparecimentos de doenças incuráveis. Sobrevivendo apenas os bons. Uma nova "ARCA DE NOÉ". "SOCIAL" – Para os sociólogos, a solução está em um trabalho voltado à valorização da vida e das pessoas. O Estado assumindo o cidadão, desde a natalidade, até a tenra idade. Dando-lhe saúde e educação de qualidade. Oportunidades iguais à todos, com emprego e salário dignos. A justiça social. A valorização da família como a célula-máter da sociedade. O respeito aos idosos, o civismo e o orgulho pátrio. "MAQUIAVELISMO" – A maneira drástica de se resolver o problema. Quando a situação toma forma insustentável, cria-se o caos, para administrá-la e controlá-la. Assim sendo, soluções drásticas não seriam questionadas. Fatores como o controle da natalidade e a esterilização em massa seriam vistas como soluções plausíveis. O incentivo à uniões entre homossexuais. O caos no sistema de saúde, criando-se deficiência no tratamento de simples doenças, aumentando o numero de óbitos por falta de tratamento médico. A redução do problema reduzindo-se a população. Com a diminuição do numero de nascidos, a população torna-se de uma faixa etária mais elevada, sendo assim, a redução de menores infratores será obvia. Os menores infratores já existentes, como estatisticamente é provado, uma ínfima minoria destes sobrevive ao crime. Assim seria resolvido o problema do menor infrator em um curto espaço de tempo, pelo simples fato de não mais existirem menores. Quanto ao problema da superpopulação carcerária e dos exclusos sociais, bastaria deflagrar-se uma guerra com algum país tecnologicamente superior ao nosso e mandá-los à linha de frente, como patriotas suicidas. Dessa maneira a criminalidade deixaria de existir no país. Só que aí haveria um outro problema. A descaracterização da população. Pois com a globalização do planeta, a invasão de estrangeiros seria inevitável e com a baixa taxa de natalidade e com o alto índice de mortalidade pela guerra ou pelas doenças o país perderia a sua identidade... Resta-nos apenas saber qual destas soluções será a tomada... ARAMIS – 14/09/07.
- Postado por: Aramis às 00h34 [ ] [ envie esta mensagem ] :: Enviar esta mensagem
COMIDA O corpo necessitado pede. E só o que podemos fazer é obedecê-lo. Nada mais nos resta a não ser saciá-lo. E nutri-lo de vida, abastecê-lo. O gesto mecânico de alavanca, À boca levando o fruto da terra ou da matança, Enquanto as salivantes papilas dançantes pré-degustam, Aguçam o paladar ou regurgitam a oferenda vinda em abundância, A fartura que nos permite a desumana extravagância. Fartos pedaços, simplesmente abandonados para o estrago. E a consciência leve que me leve o pecado pra longe. Mesmo ante aos olhares perplexos... Não sou responsável pela fome do mundo. O capitalismo me dá o direito aos excessos. E quanto àqueles que nada têm, Que possuem apenas o escárnio saco de ossos Que pecados cometeram, além o de terem nascido, E amargarem o que se lhes chamam de vida. Contraste impiedoso, O tudo e o nada... As aulas de anatomia em corpos que ainda vivem. O descaso do mundo ao seu próprio nicho. O olhar que nos pede do cárcere moribundo, Restos, sobras de nosso rico lixo. A antropofagia, Ato repulsivo aos cristãos, Far-se-á necessária um dia. A sobrevivência da raça falará mais alto. Os valores ora ainda existentes cairão incauto. A nuvem do caos fará sombra no mundo. E a racionalidade do homem desaparecerá No vale mais profundo. DEUS, Perdoe-nos por tê-lo abandonado, E seus ensinamentos em nossa consciência, Não mais ter ecoado, Lance-nos como sementes ao sabor do vento, Faça-nos germinar no amor, pois ainda há tempo... ARAMIS – 29/03/08. - Postado por: Aramis às 00h14 [ ] [ envie esta mensagem ] :: Enviar esta mensagem
LEALDADE Sê leal aos teus ideais.
Teus amigos, tuas conquistas, teus sonhos.
Sê leal às tuas convicções, Mesmo que a tua volta o céu se feche em relâmpagos clarões, E lhe traga a vida momentos tristonhos. Sê leal a teus pais, teus filhos, teu país. Finque no quintal pátrio a tua raiz, Que em tempo certo tua sombra se fará matiz, E pintará na cara o sorriso de um dia feliz. Sê leal à tua religião, Mesmo que não a tenha, Pois, em todas, o amor se faz a lenha, E arde em fogo no peito, A vontade de se ter a senha Do amor ao irmão e por ele o respeito. Sê leal às mudanças sonhadas na juventude. Que na vida adulta acomodaste na atitude, E cedeste ao sonoro encanto do vil metal. Que antes, quando sonhavas, Achavas para o mundo ser letal. E hoje compactuas com este mal. Sê leal antes de tudo a ti mesmo, Pois se enganas a ti, enganas ao mundo, E, tuas virtudes jogarás no abismo mais profundo, Lançando a sorte tua e dos teus a esmo... ARAMIS – 29/02/08. - Postado por: Aramis às 13h10 [ ] [ envie esta mensagem ] :: Enviar esta mensagem
A BAILARINA A plateia aguardava ansiosa o descerramento das cortinas. As luzes foram-se diminuindo, como se na escuridão transportássemo-nos a uma outra dimensão. De repente, um forte foco de luz, saído da outra extremidade do salão ilumina o centro do palco. As cortinas então se abrem e surge como uma indescritível visão a bailarina.
A princípio imóvel como uma estátua viva. Aos poucos ganhando movimentos lentos como que se avivando pelo som da melodia, ganhando vida e graça.
Cada acorde um movimento, uma interpretação. A bailarina conta com seus passos uma história. A combinação da música com a dança eleva-nos a um estado de êxtase, transmitindo um tempo de paz.
Aos poucos somos sugados pela magia do espetáculo. E nos sentimos parte de uma tela a óleo.
Os passos da bailarina carregam nossas sensações e sentimentos para um lugar entre os sonhos e a fantasia.
As leis da física são quebradas. O corpo torna-se mais leve que o ar. A bailarina flutua com a leveza de uma pluma e a beleza de um anjo.
O espetáculo prossegue. Meu corpo estático em um NIRVANA CATALÉPTICO, como que na presença de uma Divindade Olímpia.
Vejo a minha frente um cisne agonizante em seus últimos momentos. Em um lago de águas azuis e límpidas, contrastando com as cristalinas lágrimas vertidas dos olhos da plateia . Outros cisnes se aproximam em um ritual de despedida. A solidariedade dispensada até o último suspiro.
Finda a representação da morte. As luzes voltam a iluminar o ambiente. Minha alma retoma meu corpo em uma dolorida possessão da realidade.
O espetáculo termina. A bailarina volta a ser apenas uma mulher, sem pás de deux, sem fouettés, sem penchée, sem demi-plié, sem adage, ou sem arabesque.
E assim, eu, a bailarina e a plateia, retornamos à vida comum. Com toda a realidade que ela nos propicia.
ARAMIS – 04/03/08.
- Postado por: Aramis às 11h20 [ ] [ envie esta mensagem ] :: Enviar esta mensagem |