"Sonhos de um Mosqueteiro"
Este livro (blog) contêm crônicas e poemas por mim escritas, nas
quais eu fiz questão de manter a data em que as mesmas foram elaboradas para que
pudessem servir como testemunho de seu conteúdo "profético", e como um alerta
para aquelas que ainda não foram concretizadas. ![]() (ARAMIS NETO) ![]() (ARAMIS NETO) ![]() (Grahn Bell) ![]() (F.Nietzshe) ![]()
H/ALMA GUERREIRA/ olá amigo,sem palavras para o seu blog e seus textos,aceite um premio meu,nº 1 meu maximo o number one
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MENINO LEVADO... Menino levado, levado da breca, Menino levado, levado por todos, Menino levado, de artes infindas, Menino levado, levado pelas águas da cachoeira, Menino levado, levado pela vida. Menino levado, levado pelo tempo. Menino levado, que já nada mais leva. Menino levado, levado pela morte. Menino levado... menino que foi... ARAMIS – 28/09/09.
- Postado por: Aramis às 01h48 [ ] [ envie esta mensagem ] :: Enviar esta mensagem
APARIÇÕES
Insólito destino,
Que se apossou de minha vida após conhecê-la.
Invadindo meus momentos,
Tomando as rédeas de minha inconsciência,
Em atos e pensamentos.
Furtivas aparições de teu espectro,
Em ondas insanas, sem nexo.
E eu...
À mercê de minha loucura,
Procuro desesperado por uma cura.
...Mas meu remédio é você.
Tento fugir de você fugindo de mim.
Já deixei meu amor e meu ódio
Gravados em nanquim.
Palavras que serviram de inspiração
Para outros amores,
Celebrando a reconciliação ou o encontro,
De almas-metades em sua fusão.
Como não pensar em você,
Se a constância de sua presença
Está no ar, nos sonhos e na crença.
Improviso amores,
Na tentativa de embriagar-me na luxuria
E vendar meus olhos à sua aparição.
Mas não...
Lá está você...
Presente em outros corpos,
Em beijos de outras bocas,
...Em minha cama,
Nos momentos de paixão.
Quero exorcizá-la de meu pensamento,
Mas me pego a todo o momento,
Ainda amando você...
ARAMIS 21/09/09.
- Postado por: Aramis às 03h33 [ ] [ envie esta mensagem ] :: Enviar esta mensagem | ||||||||||||||
ROSA DE NEON
Nada me daria mais prazer do que tê-la em meus braços. Sufocá-la com meus beijos e abraços, Saboreando cada gota do teu suor.
Prova da extenuância ante a batalha maior. Em que nossos corpos sedentos de amor, Entregam-se da luxuria da carne ao sabor. Então, faço-me teu jardineiro. Cultivando tua terra, inalando o teu cheiro...
Tenho todo o pouco tempo que as horas me dão, No tic-tac do relógio, Sincronizado com as batidas de meu coração.
Quando do findo da areia na ampulheta, Vejo, na cama, No acende e apaga das luzes, tua silueta.
E viajo na velocidade do som de teus prazerosos gemidos, Que dissolvem as grades das celas interiores, Libertando meus desejos mais reprimidos.
Olho para a parede, De onde emana o pisca-luz e seu diversificado tom, E vejo-a, muda testemunha ruborizada... Sobre tua cabeceira, A ROSA DE NEON...
ARAMIS – 30/07/09. - Postado por: Aramis às 00h20 [ ] [ envie esta mensagem ] :: Enviar esta mensagem
O COBERTOR DE LÃ O pastor tosquiou a ovelha que aos balidos tentava inutilmente resistir. A lã recém cortada foi enviada a indústria de confecção, onde depois de todo o processo de produção, resultou em um lindo e aquecedor cobertor de casal. Após passar pelo controle de qualidade, o cobertor é embalado e transportado até a loja, onde fica exposto para ser vendido. Passado algum tempo, ele é comprado e dado de presente a um jovem casal em suas núpcias. Quantos momentos felizes o cobertor aqueceu. Teve aquela vez, quando o casal brigou pela primeira vez e o marido o pegou juntamente com o travesseiro e foi dormir no sofá da sala. E aquela outra vez, em que a mulher enrolada nele, corre em direção ao marido que entrava em casa ao retornar do trabalho e abrindo-o como se fosse uma capa, expõe sua barriga dizendo estar grávida. E os dois se abraçam e se enrolam nele aos beijos. E também teve aquela vez, quando o filhinho do casal estava com trinta e nove graus de febre e foi enrolado nele pra que seus pais o levassem apavorados ao hospital. Passado alguns anos. Depois de aquecer tantos momentos de amor, de brigas e reconciliações, o cobertor é disputado na partilha dos bens do casal que se separa. O cobertor acaba ficando com a mulher, que não suportando mais vê-lo e recordar-se dos doces momentos presenciados por ele, acaba por doá-lo a uma instituição de caridade. Na instituição ele é recebido com alegria, lavado, perfumado e embalado. Pronto para ser entregue a alguma família carente e aquecer suas frias noites. E é isso que acontece quando das primeiras rajadas frias do inverno. A instituição escolhe uma pobre família do lado mais carente da cidade e lhe presenteia com o cobertor. Aquele cobertor de casal agora cobria nas frias noites os corpos da mulher e seus cinco filhos. Para eles, um presente de DEUS. Durante anos o cobertor de lã aqueceu aquela família. Mas o tempo passou. E até o cobertor envelheceu. Achando que não mais havia serventia para o velho cobertor, a mulher coloca-o na calçada, juntamente com algumas tralhas, para ser levado pelo caminhão de lixo. Mas antes do caminhão de lixo passar, passa um velho morador de rua, que vendo o cobertor ali jogado, pega-o agradecendo a bondosa alma que o jogara fora. Agora, aquele velho cobertor de lã começava a cumprir sua ultima missão. E a cumpriu da forma mais honrosa que jamais poderia imaginar o pastor ao tosquiar sua ovelha. O cobertor aqueceu ainda por várias noites o velho mendigo. Que em uma noite fria e úmida, DEUS resolveu levá-lo enrolado naquele surrado cobertor de lã. ARAMIS – 06/05/09. - Postado por: Aramis às 18h46 [ ] [ envie esta mensagem ] :: Enviar esta mensagem
UM COMETA CHAMADO “MICHAEL JACKSON”
Cometa em contato com a atmosfera, Que em seu passar levantou as águas, Acordou em sonhos, tremeu a terra. Lutou batalhas com trombetas, Mostrando ao mundo suas injustas diferenças. E se fez igual em cores diferentes, Provando assim, Ser o impossível inexistente. Isolado em sua “cosmeticidade”, Fez do “Peterpanismo” sua verdade. Pois só à criança pertence o paraíso. Querendo levar o adulto de volta ao juízo, Levantou bandeiras sem pensar em prejuízo. Fez da música sua oração, De seu corpo o templo de adoração. E cantou suas dores Eternizou seus amores Na sonoridade da canção. Já no final, Como que sabedor de seu retorno ao cosmo, Lançava seu olhar ao infinito, Demonstrando uma tristeza de despedida, Que de triste se fez bonito. Ou quiçá, a dor da ferida de não se fazer entender. E brilhou seu brilho mais luzente ao morrer...
ARAMIS – 28/06/09.
- Postado por: Aramis às 18h55 [ ] [ envie esta mensagem ] :: Enviar esta mensagem
VIDA MARISA VIDA
Vejo com os olhos da vida. De ambíguos ângulos... Distraída.
Quando já me dava por ausente, Ela, a vida, se faz presente. E me arremessa ao espaço, Então, a divina vontade de viver enlaço. E me dôo como a lenha se dá ao fogo ardente.
Não hesito frente ao novo. Que de novo e desconhecido se faz atraente. Inflamando a curiosidade, sobrepujando o medo. E de peito aberto e cicatrizado vôo em frente.
Asas de esperanças renovadas ganham espaço. Da frágil mulher de outrora, Agora forte me faço. Pássaro a gorjear ao primeiro sinal da aurora.
Sigo por caminhos que antes temia. Ignoro o frio, o calor. Protejo-me na guia do amor E aprendo um pouco mais a cada dia.
As lágrimas que de meus olhos um dia rolaram, Tornaram-se pérolas que de meu peito brotaram. Transformando em beleza A tudo que tocaram.
Viver é sonhar o sonho dos anjos, O sopro que DEUS nos dá. O movimento do universo Em inovações constantes. Pois nada será como antes... No caminhar do tempo não há reverso.
Hoje me sei, como outrora não me sabia. Havia delegado a outros O comando de minha vida. Assim, ao invés de viver, Minha vida se rarefazia.
Agora, Sou minha própria condutora. Em minhas decisões acerto ou erro. Nada mais humano que essa premissa. Pois aprendi amar a mim da forma mais sedutora.
ARAMIS – 20/06/09.
- Postado por: Aramis às 21h36 [ ] [ envie esta mensagem ] :: Enviar esta mensagem AMANTES
Alô!... Você pode falar? Hoje é o nosso dia... Doze de Junho... Queria poder estar com você, passarmos o dia juntos. Andar no parque, tomar sorvete, correr descalços e abraçados. E acabarmos o dia na mais plena satisfação do nosso desejo. Mas somos privados de certas atitudes simples. Nosso amor possui regras e limites, Nos conhecemos fora do tempo. Vivemos à sombra de uma história de amor. Nossa felicidade é pecado. Talvez amanhã possamos nos ver e recuperarmos o dia perdido. Nos encontrarmos na mesma hora, no mesmo lugar. Aí então te beijarei. Mas presente não posso te dar e nem receber. Como justificar um presente em casa, justo nessa data... Lembra quando nos encontramos naquela festa? Você acompanhada e eu também. Foi difícil controlar o desejo de te tomar nos braços E te cobrir de beijos. Quisera ter a irresponsabilidade dos jovens, Jogar tudo pro alto e correr atrás da felicidade. Mas não é tão simples assim, Nem pra mim e nem pra você. Não somos sós. Pessoas dependem de nós. Só sei que o que sinto é forte e verdadeiro. É amor, como jamais pensei senti-lo. Agora preciso desligar, estou ligando de casa... Te amo...tchau...
TUU...TUU...TUU...TUUU...
ARAMIS – 09/06/09.
- Postado por: Aramis às 02h45 [ ] [ envie esta mensagem ] :: Enviar esta mensagem ANJOS ENVIADOS
Século XXI. Os homens investidos e vestidos das ciências desacreditam na divindade de DEUS. O mal invade os espaços abertos pela descrença, sorrateiramente como as águas de uma represa ao acomodarem-se nas áreas inundadas, ocupando cada espaço de forma envolta. Nada a se fazer a não ser esperar pelo pior, pelos séculos vindouros de trevas e dores... A maldade e a descrença do homem moderno afastam-nos de DEUS. A bestialidade toma a forma humana e mistura-se aos mortais. Tudo o que outrora era repulsivo e anômalo, vai-se tornando corriqueiro e normal. Já não há mais parâmetros entre o bem e o mal. Mas DEUS, em sua infinita sabedoria e bondade, por amar seus filhos e não querer abandoná-los, mesmo que por eles sendo abandonado, envia-lhes sinais de sua presença. Apenas esperando ser solicitado e acreditado mais uma vez, por aqueles a quem criou com tanto amor, para banir por mais milênios a fera besta do planeta terra. Assim como o relatado nos registros bíblicos. Toda vez que DEUS quis falar com seus filhos terrenos, mandou à frente seus enviados anjos, como sinal de sua presença. E não seria diferente agora. E é isso que DEUS está fazendo. Deus está enviando seus anjos em sacrifício ante as possessões da besta, para que tenhamos olhos para reconhecer os seus sinais, ouvidos para ouvirmos o seu choro ante as nossas recusas em aceitá-lo e corações para que possamos senti-lo e suplicar-lhe o seu perdão. Resta-nos reconhecermos estes anjos para que façamos uma retrospecção em nosso interior e reconheçamos o quão estamos desviados de seu caminho. Os anjos estão aí, todos os dias tocando-nos com suas asas. Suplicando-nos para olharmos para DEUS e deixá-lo nos ajudar. Somos frágeis e vulneráveis demais para enfrentarmos a besta sozinhos. Precisamos ter o poder de DEUS a nosso lado. Os ANJOS ENVIADOS vem-nos em forma de criaturas frágeis e desprotegidas, para que as percebamos melhor e sejamos mais suscetíveis ao seu clamor. DEUS enviou-nos PEDROS, ISABELAS, RACHELS e tantos outros anjos, sacrificados nos mais remotos cantos do mundo. Em guerras, em fomes desumanas, em corpos disformes pela inanição, ou mutilados pela maldade humana. Em formas de crianças, para alertar-nos sobre a possessão demoníaca que se alastra pelo mundo. È a forma de DEUS avisar-nos de que ainda há tempo para nos redimirmos e execrarmos essa adoração demoníaca. Quantos anjos mais teremos de ver serem sacrificados, até que tenhamos de volta a nossa consciência. Quantas atrocidades teremos de presenciar até nos sensibilizarmos. Ou será que deixamos de ser filhos de DEUS e passamos a ser adoradores da besta?...
ARAMIS – 13/11/08.
- Postado por: Aramis às 00h06 [ ] [ envie esta mensagem ] :: Enviar esta mensagem
OUTONO
Gotas douradas do tempo caem silenciosamente,
Fertilizando o solo, germinando a semente.
Um tempo de mudanças, de renovações.
Onde o desconhecido aguça as emoções.
Foi em um outono que me conheci rebelde
E transpus barreiras até então instransponíveis pra mim.
Peguei em armas, gritei de ordens frases afins.
E me dei conta de que poderia mudar o mundo,
Pois deste sonho mais profundo,
Em canções me rebelei.
Queria uma pátria vermelha
Como o sangue da vida que corre na veia.
E me fiz guerreiro,
Fui buscar técnicas de guerrilhas no estrangeiro.
E me fiz anjo da morte,
Que se tiver um pouco de sorte, não firo ninguém.
Mas fui mais além...
Elegi um fardado inimigo pra nortear minha vida.
Fazer-me seu opositor da forma mais atrevida,
Andar nas sombras, falar em sussurros,
Entrar nos “aparelhos” escalando os muros.
E fazer-me invisível aos olhos de quem me visse.
Não ser piedoso a quem clemência pedisse.
Mas era jovem e tinha direitos a certa “burrice”...
Hoje o dourado do tempo
Dá vez à prata em meus cabelos.
E com eles veio a sensatez,
De fazer-me rebelde mais uma vez.
E tentar consertar meus erros,
Tentar detê-los...
Vejo hoje a pátria que ajudei a construir...
...(ou talvez a destruir, já nem sei)...
E não me orgulho do que deixo aos meus netos.
Queria edificar um paraíso e criei um inferno,
Do outono vivido agora resta o inverno.
ARAMIS – 31/03/09.
- Postado por: Aramis às 00h55 [ ] [ envie esta mensagem ] :: Enviar esta mensagem
FECHO MEUS ÓLHOS
Fecho meus olhos na escuridão interior.
Fecho meus olhos para ignorar a realidade.
Fecho meus olhos para não sentir-me inferior
Ao mascarar da existência do mundo a maldade.
Fecho meus olhos para não sentir-me responsável,
Para não ter que lutar contra o inevitável.
Ser herói não é de minha natureza.
Fecho meus olhos assim como faz a realeza,
Ignorando os gritos do povo,
Às portas de seu palácio inviolável.
Fecho meus olhos a tudo que me revolta e amedronta,
Faço-me de cego a tudo que me afronta.
Camaleão, confundo-me com o meio,
Para não ser da batalha necessária o esteio.
Fecho meus olhos assim como tantos outros fazem.
Passar na multidão desapercebido é minha meta.
Mas a vida e o mundo apontam-me com sua seta,
Culpando-me da forma mais cruel e direta,
Fazendo-me sua vítima dileta.
Abro meus olhos,
Esperando não ser esta minha atitude tardia.
Por esperar tanto tempo para reagir,
Escondendo-me atrás de minha covardia...
ARAMIS – 01/03/09.
- Postado por: Aramis às 00h35 [ ] [ envie esta mensagem ] :: Enviar esta mensagem
AQUELA QUE EU AMEI
Aquela que me ensinou amar,
Foi a mesma que me ensinou a sofrer.
Sentimentos divergentes e intensos,
Do amor ao ódio e novamente ao amor.
Confusão mental inexplicável,
Sentimento fechado no peito... inviolável.
Noites insones repletas de porquês.
E a cabeça girando em um carrossel imaginário,
Viajante dos sonhos sem traçar itinerário,
Perdido nos olhos da insensatez.
Que asas me tocaram
E tingiram de anil o meu ser?
Hoje, me furta a doidivana o direito de lhe ver.
A eterna dúvida entre o ser ou não ser.
Adormecer-se em “crisálidos” berços-mortálhas,
Onde se morre para se renascer.
E transforma-se de escuridão da noite em amanhecer,
Apenas pela suprema vontade de querer viver.
Dos beijos trocados ainda sinto o sabor,
Das carícias ousadas me recordo o calor.
Os olhos serrados, a espera do desejado momento,
Quando todo nosso sentimento
Explodia-se em sublime torpor.
Quero que me tenhas em lembrança como a tenho.
E ainda que tênue a saudade,
Se bater no teu peito a solidão,
Me chame que eu venho.
ARAMIS – 15/02/09. - Postado por: Aramis às 03h31 [ ] [ envie esta mensagem ] :: Enviar esta mensagem
O MATUTO POLICAR SIRVIO VAI PEDIR EMPRESTIMO NO BANCO...
- Bons dia moçu du banco.
- Bom dia senhor. Em que poso servi-lo?
- Meu nome é Policar Sirvio... prazerrr. Eu vim cá pra mó di pidi um dinheru imprestadu pro sinhô. É que bateu umas praga lá na fazenda e num sobro nadinha pra mó di eu e minha famia cume.
- E onde fica a sua fazenda ?
- É a fazenda Sumpólu. Ela fica na estrada da constituição numuru 1988. Dispois que abriru essa estrada é que minha fazenda cumeçô a í pru brejo, moço. Eu herdei ela do meu vô, o Coroné Mão de ferro. Eu achu inté que o sinhô cunheceu ele. Pela idade que o sinhô tem.
- Ah! Eu conheci sim... Não foi à-toa que ele ganhou esse apelido de “Mão de Ferro”. Mas devo reconhecer que na época de seu avô a região aqui era mais segura. Todo mundo o temia e o respeitava. – Mas me conta a sua história. Vamos ver se posso ajudá-lo.
- Num é história não moço. O causo é que quando eu vim pra fazenda, pra mó de ajuda meu vô, que já tava veinhu, tadinho. Pois foi ele que me pediu pra vim. Eu cheguei junto com essa estrada, a tar da constituição. Meu vô me deu um montão de conseio. Principarmente ele me falô que com a construção da tar estrada desviaram o rir, ( o curso dágua) que passa dentro das terra da fazenda.Que era pra eu tomá muito cuidado “coercia” correnteza do “rir ervanche”, esse é o nome do rir. Esse rir é muito perigoso moço. Já arrastô muita gente.
- Pode continuar, estou ouvindo.
- Depois moço, nóis ainda passemu uns mar bocado, com uma secura de dá dó. A infração, aquelas coisa do dinheiro que vai diminuiiiiiinu, era tanta. Que, de manhã a cumida era um preço e de noite já era otru. Mas aí, no finarzinho da estação, caiu uma chuvinha, pingadinha, mas que” freuryo” um poco a prantação moço. Deu inté pra paga umas dividazinha que eu tinha. Mas o pior veiu dispois...
- Estou atento ao seu drama, continue...
- Acho que cumeçaru a cavucá demais o leito do “rir ervanche”, moço. Que a correnteza foi ficando cada vez mais forte e arrasto tudo. Num sobro quase nada. Foi tanta erosão, que só se via “covas” em todo lado. Nem um frutinho, se quer. As terra secaru tudinho. Minha famia só num morreu di fome ainda moço, porque eu trabalho nas minha hora di forga da prantação, como vigia do gado do visinho. E a minha muié também trabaia de domestica na casa duns turista que vem pra cá nas féria.
- Então você tem dois empregos?
- É o disisperu moço. Num tenho tempo nem de fica cum a minha famia. Quando eu to im casa a muié num ta. Quando ela ta eu num to. E as criança, nem lembro mais a voz deles cumé. Porque só vejo eles durminu quando chego di madrugada im casa. E quando saio eles ainda não acordaru.
- É meu senhor. Assim é difícil viver mesmo. Eu estou solidário com o senhor. Mas o que o senhor pretende?
- “Ao qui mim” disseru, pra eu vim aqui emprestá dinheru e montá um nogócio pra ajudá a ganha dinheru. Eu tentei roça na serra, mas também num deu em nada. As terra na serra também é improdutiva. De lá num sai nada.
- E o que é que o senhor vai fazer com o dinheiro, se eu o emprestar?
- Bão moço, eu vou paga a minha campanha pulitica pra mó di eu me candidatá nas próxima eleição. Já tenhu um montão de votos dos colega que tem uns sitiozinhos aqui na região. Eu prometi pra eles que nós vamu ficá tudu junto. Que eu vo faze cum que o governo de bastante incentivo pra torna nossas terra produtiva de novo. Faze o “rir ervanche” vortá pro curso normal pra que agente num precise mais ficar longe da famia cum dois ou mais imprego.
- Sendo assim, o senhor me convenceu. Vou lhe emprestar o dinheiro e ainda vou ser seu cabo eleitoral...O senhor merece...
ARAMIS – 22/09/08. - Postado por: Aramis às 13h53 [ ] [ envie esta mensagem ] :: Enviar esta mensagem
FOTOGRAFIA
Lembro-me exatamente de todos os detalhes de quando ela foi tirada. Era um domingo. Alguns amigos estavam em casa, participando de um churrasco que combinamos sem que fosse nenhuma data especial. Apenas o reunir dos amigos pra se jogar conversa fora, rir, cantar, beber. Enfim, saborear a companhia dos amigos que sempre foram testemunhas do nosso amor. Tudo estava perfeito. O dia ensolarado, o astral salutar que invadia os cômodos da casa, o cheiro do churrasco provocando nosso apetite, a competição de quem fazia a melhor batida e o riso e a alegria estampada em cada rosto. Durante todo o transcorrer do dia, cada vez em que nos olhávamos, saía de nossos olhos, faíscas de amor, de tesão , de todo o querer bem que trazíamos dentro de nos. Nosso amor contagiava os presentes. E nossa cumplicidade era invejada por todos. De repente, não sei de onde, alguém apareceu com um violão e começou a dedilhar algumas notas musicais. Empolgado pelo clima festivo e desinibido pelos copos de cerveja e de batida já ingeridos, pedi ao dono do violão que me acompanhasse em uma musica. Sempre disseram que eu cantava bem. Pelo menos nos Video-Kês da vida sempre me dei bem. Em alguns lugares, chegavam a mandar bebidas para a minha mesa, com pedidos para cantar uma ou outra musica. Então comecei a cantar a musica que cantei pra você no dia em que nos conhecemos. Você ficou parada à minha frente ouvindo-a, pois sabia que eu cantava o meu amor por você. Quando terminou a musica e enquanto os presentes batiam palmas, você dependurou-se em meu pescoço e me deu um delicioso e apaixonado beijo, que foi fotografado por uma de nossas amigas, em uma câmera de celular. O dia acabou. Após o mutirão de limpeza, em que a maioria sóbria participou. Todos foram para suas casas. Dois dias depois, nossa amiga foi em casa, levar o retrato tirado naquele momento e que ela mandara revelar. Trazendo o presente já emoldurado e dizendo que era um momento de puro amor que precisava ser eternizado. Este retrato acompanhou-nos por muito tempo exposto sobre a estante da sala, para que todos vissem a fotografia do nosso amor. Mas hoje, chego em casa e vejo essa mesma fotografia sobre a mesa da sala. Rasgada ao meio, separando nosso beijo e nossos corpos. Não há mais o que se fazer. A fotografia rasgada representa e traduz o que estamos vivendo agora. Nossa casa já não desfruta da sua presença. Apesar de ainda haver resquícios do seu perfume em tudo. Só posso dizer que estou me sentindo exatamente como a fotografia sobre a mesa... Rasgado ao meio...
ARAMIS - 25/11/08.
- Postado por: Aramis às 22h08 [ ] [ envie esta mensagem ] :: Enviar esta mensagem
TEMPLO MEU... PALÁCIO OU MANJEDOURA?
Natal, época de reflexão, de solidariedade, de perdão... Quantos e quantos natais já passamos sob esta falsa semântica. Onde as palavras são apenas palavras sem sentido. Quando os sentimentos são fingidos ou apenas interpretados, como em um grande teatro ao ar livre. Votos de felicidades apenas vomitados pelas bocas insensíveis. Quantos de nós realmente se fez o berço do menino Jesus? Feche seus olhos e entre em si mesmo. Percorra seus espaços mais ocultos, seus becos e vielas. Veja seu corpo como uma estrada nesta noite de natal. Por onde a Virgem Maria e José percorrem, procurando um lugar seguro para que Maria possa dar a luz ao "DIVINO REBENTO". Olhe-se, introspec-se, analise-se... E veja quem realmente você é nesta noite. Seu templo cárneo é um palácio cheio de pompas e tesouros com suas portas fechadas, ou uma humilde manjedoura, porém quente e acolhedora? Quantos de nós se fará merecedor para receber o filho de DEUS? Sei que não sou perfeito. Que tenho defeitos e que carrego em meu peito pecados pelos quais amargo minhas fraquezas. Porém, quero com toda a minha vontade, vir a ser merecedor de acolher aquele a quem a ESTRÊLA GUIA anuncia. Meus votos, são para que neste e em todos os natais, sejamos manjedouras, para que possamos receber o Menino Jesus em nossos corações. FELIZ NATAL...
ARAMIS - 23/12/08.
- Postado por: Aramis às 01h23 [ ] [ envie esta mensagem ] :: Enviar esta mensagem
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